é daquelas verdades verdadeiras, que está debaixo do nariz e é tão óbvia que nem a vemos: "as pessoas moram nas casas, mas as casas moram nas pessoas".
o caos organizado, as cores, a disposição e indisposição das coisas da minha casa sou e é quem cá está.
é sobre esta identificação, do que somos com o que vivemos, que carla maia de almeida escreve e alexandre esgaio ilustra.
há um travo poético nas palavras escolhidas, porque as paredes não são só paredes e uma cave não é só uma cave.
e embora as casas sejam imóveis, também elas mudam, como nós.
"Sou uma
pessoa “de casas”, estou sempre a ver as casas dos outros e a imaginar o que se
passa dentro delas, e estou sempre a revisitar as casas onde vivi. Olhar para
uma casa abandonada ou em ruínas é uma das experiências mais emocionalmente
intensas por que posso passar.
"Parti para Barcelona [para uma residência artística] com a ideia de que queria fazer um livro sobre
casas – afinal, são o espaço físico que uma criança reconhece depois do seu
próprio corpo, e isso não pode deixar de ser marcante.
Can Serrat, a residência
artística, parecia-se mais com uma casa do que com uma residência artística,
mas, curiosamente (ou não), os primeiros esboços do livro foram riscados numa
toalha de papel de um restaurante da aldeia. Ou talvez num dos meus passeios a
pé pela serra de Montserrat.
Preciso de movimento para desencadear o processo
de libertar palavras e imagens. Também preciso da natureza à minha volta. Sou
uma pessoa de casas e de campo. E de gatos".
o lançamento será no dia 18 de fevereiro na associação sou, nos anjos, em lisboa.

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